Um era da geração coca-cola, eternizou em música o amor de Eduardo e Mônica, os dramas de João de Santo Cristo e via refletido em espelhos um mundo doente. O outro era um maior abandonado, exagerado, sem ideologias, dono de segredos de liquidificador, que tinha sua própria receita para o dia nascer feliz. Se você não viveu a geração de 1980 talvez precise ler o livro "Renato Russo e Cazuza: a poética da travessia-rock e poesia nos anos 80", do professor José Roberto Silveira, para entender a importância de dois dos maiores ídolos da música brazuca. Se curtiu, talvez vá gostar de descobrir detalhes dos líderes da Legião Urbana e do Barão Vermelho.
Silveira, que lança o livro no próximo dia 29, às 20h, no segundo andar do Shopping Hills, em São João del Rei, transformou sua tese de mestrado em letras na primeira obra lançada pela editora dele, a Maltaeditores. Para traçar as semelhanças e diferentes entre os dois, o professor inventou um conceito próprio a "poética da travessia", aplicada aos dois cantores que fizeram sucesso na transição da ditadura militar e do início do processo de democratização do país.
Para o autor, ambos têm outros pontos em comum. Traduziam em suas canções uma forma peculiar de ver o mundo. "A poesia de ambos era autobiográfica, confissional. Mas ao expressar o que sentiam como indivíduos acabavam retratando o imaginário dos jovens da época. As canções de ambos podem ser vistas como uma forma de memória cultural", explicou.
Diferente da geração dos anos 60 e 70, a música do anos 80 não é engajada. Para o professor, a música Ideologia de Cazuza demonstra um pouco o espírito do rock da década. Sem ideologias, politizados, mas não militantes, os jovens tentavam seguir novos rumos, apesar de problemas como a inflação, o surgimento da aids (doença que matou os dois ídolos) e os conflitos de um país onde a democracia dava seus primeiros suspiros.
"O livro deixa mais claro a poética dos dois. Quem viveu a geração 80 pode entender de forma mais objetiva alguns pontos do rock nacional da década. Quem não viveu vai poder entender esse momento tão rico da poesia do rock brasileiro", afirmou Silveira que pretende lançar o livro em Belo Horizonte no dia 6 e no Rio de Janeiro no dia 8.
A maltaeditores, única editora de São João del Rei na atualidade, também está recebendo obras de autores de todo o Brasil. "O próximo a ser lançado é um livro de literatura infanto-juvenil, de uma autora de Pouso Alegre", anunciou Silveira
Professor lança livro sobre poesia dos anos 80
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