Maternidade e Paternidade...


Deve parecer, à primeira vista, senão chocante, dizer que a maternidade e a paternidade têm prazo de validade. É claro que este prazo não se refere de nossa filiação, nem muito menos, aos laços afetivos únicos que essa relação estabeleceu. O prazo de validade refere-se à função materna ou paterna e a postura concomitante de filho (a). Se tanto a mãe como o pai tem a função de guias únicos do (a) filho (a) no seu longo caminho de maturação e aprendizagem que vai do dia do nascimento até a entrada na vida adulta, essa função obviamente termina quando o (a) filho (a) se torna um adulto. Isso parece tão simples e tão lógico que escrever sobre isso seria um absurdo se a vida das pessoas mostrasse quase todos os dias o quanto é difícil deixar um (a) filho (a) crescer e virar adulto, o quanto é difícil saber guiar de verdade e saber parar de guiar. A maturidade não é um dado biológico ou intelectual. É uma conquista que necessita experimentar, corrigir, avaliar, tornar a experimentar... Por isso ela é longa a adquirir: dura a infância toda e mais a adolescência. Mas ela começa ou deveria começar desde o início. Quantos pais (mães e pais) permitem que isso aconteça? Quantos estão atentos a isso? Para muitos pais, os filhos são sempre crianças, sempre menos do que eles. Do lado dos filhos a atitude paralela é uma espécie de dependência envergonhada, uma insegurança disfarçada e uma cobrança contínua meio raivosa e meio culpada por atitudes dos pais. Uma pessoa não pode esperar pela morte dos pais para ser responsável de si. E a mãe e o pai têm que terminar a tarefa quando os filhos atingem uma determinada idade. Eles têm direito à aposentadoria dessa tarefa tão longa. A função materna ou paterna não é para o resto da vida. Têm prazo de validade. Depois do prazo vencido, se seu filho ou sua filha ainda se considerem como tais; se ainda dependem, se ainda precisam, se ainda cobram, se ainda temem, é que o processo de amadurecimento ficou emperrado: nem os pais viram sua tarefa como terminável e nem os filhos souberam ou quiseram sair desse lugar “filial” para tornarem-se únicos responsáveis de si, autônomos, seguros e livres para não quererem nada dos pais além de afeto que essa relação única pode criar.

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