Sem...


Sem ciúmes, sem pressa, sem ódio, sem apego e sem pressões. Sem expectativas, sem promessas, sem cobranças, sem vergonha, e sensível. Sem medo. Sem controle. Sem juízo. Sentindo-me amado com delícia e liberdade, e amando com grandeza e ousadia. Sentindo-me íntimo da transitoriedade. Buscando o equilíbrio no instável, no insólito, no inesperado, no inexistente... Sentindo-me passageiro numa viagem louca e sem destino. Percorrendo caminhos ainda não trilhados. Ficando cada vez mais e mais perplexo, fascinado e encantado com os novos horizontes. Amando as surpresas todas no momento mesmo em que acontecem. Quebrando barreiras, de modo irreversível. Ultrapassando limites. Buscando (e encontrando!) a essência de cada coisa nela mesma. Compreendendo as razões também daqueles que não conseguem me compreender. Podendo até ser julgado por minhas atitudes desprendidas e por meu comportamento fora de padrão... Podendo (é claro) ser julgado, mas condenado, jamais! Vivendo o mais profundo, o mais criativo, o mais sensual, o mais inocente e o mais sagrado período da minha vida. Sugando a delícia doce da substância pura de todas as coisas livres. Vivendo as maiores e as mais altíssimas paixões da minha vida, e vibrando com tudo que me toca. Sentindo-me a cada momento como se Deus me estivesse cobrindo com as flores das flores das flores. Inundado de carinho e gratidão. Dançando nas minhas próprias emoções. Com a cabeça nas nuvens, e o coração no infinito. Portanto, o que mais posso eu querer da vida, além de amores breves e brilhantes, crepúsculos, muita liberdade, muita alegria, saúde, poesia, tesão, gostosura... E tempo livre para viver tudo isso?

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