UFSJ tenta decifrar lógica de tempestades


O que você faria se soubesse que em meia hora vai cair uma tromba d’água que poderá danificar seu carro, inundar a sua casa, ou tumultuar o trânsito a ponto de impedir que você chegue a tempo de participar de um importante jantar de negócios? Pesquisa da Universidade Federal de São João del Rei, financiada pela Fundação de Apoio a Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), agência de fomento ao desenvolvimento tecnológico do Governo de Minas Gerais , pode, em um futuro bem próximo, aprimorar o método de previsão de tempestades severas em todo o Estado, permitindo que os institutos de previsão meteorológica de Minas Gerais possam avisar ao poder público da ocorrência de chuvas muito intensas 30 minutos antes de elas ocorrerem.


"As tempestades severas se formam muito rapidamente e tem uma vida muito breve. Não chegam a durar duas horas. Os sistemas de previsão de tempo que existem hoje dão informações muito vagas. Freqüentemente ouvimos que vamos ter chuvas fortes no fim da tarde, mas não sabemos com antecedência onde essa chuva vai cair e que área será afetada", explicou o professor e doutor Cláudio C. Pellegrini, coordenador da pesquisa. Pellegrini, que também coordena o centro de estudos meteorológicos da UFSJ, diz que a idéia de se monitorar a ocorrência de tempestades severas não é nova. Segundo o pesquisador, já houve uma tentativa de se criar um grupo em Minas que exercesse essa atividade, mas a iniciativa falhou. Em 2006, Pellegrini e seus colaboradores conseguiram que a Fapemig aprovasse novo projeto, iniciando a pesquisa que deverá ser concluída até o final do 2009.


"Hoje, os meteorologistas prevêem que deverá chover 30 milímetros, em uma hora em uma área de 20 quilômetros por 20 quilômetros. Mas não sabem dizer onde essa chuva vai cair. Se essa precipitação ocorre em toda essa área, nenhum dano é causado. Mas se acontece sobre um determinado bairro, podem ocorrer inundações. A idéia é termos essa informação com no mínimo meia hora de antecedência", afirmou.


De acordo com o pesquisador, já foram desenvolvidos vários programas de computador para a previsão do tempo. A pesquisa desenvolvida em São João del Rei tem como meta aprimorar um destes sistemas adaptando-os às características de cada região de Minas Gerais. Um dos desafios será adequar o conceito de tempestades severas às condições sócio-econômicas do Estado.


"O conceito mais aceito hoje foi elaborado para os Estados Unidos (país assolado por tornados) e para Austrália (que sofre com tempestades de areia). Não se aplica ao Brasil e ao nosso Estado", explicou. De acordo com Pellegrini, que é doutor em meteorologia pela UFRJ, as tempestades só deveriam ser classificadas como severas quando apresentarem características como grande volume pluviométrico, ventos e granizo e ocorrerem naquelas regiões onde possam causar problemas sociais, econômicos ou ameaçar vidas.


" Para uma região plantadora de cana, o granizo pode fazer com que uma tempestade tenha graves conseqüências para os produtores. Mas, o granizo já não causa tanta preocupação se cair em uma região de pecuária. É preciso levar em conta todos estes aspectos", explicou. Outro fator que deve ser observado é a condição do solo e a topografia de uma determinada região.


Em determinadas regiões, ainda conforme o professor, a ocorrência de chuva intensa em três dias consecutivos pode encharcar o solo, provocando deslizamentos nas encostas. "Nesse caso, os institutos de meteorologia não teriam que se preocupar só com a previsão das tempestades severas, mas também com a análise das conseqüências de outros fenômenos meteorológicos que podem afetar a sociedade", explicou.


Os resultados da pesquisa serão apresentados à Fapemig. De acordo com Pellegrini, a idéia é que as conclusões do estudo possam dar ao Governo de Minas condições de planejar e organizar um sistema de prevenção que lhe permita adotar ações que visem evitar grandes prejuízos às vítimas de tempestades severas no Estado.

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