Botiquineiros
Botiquineiros proprietários de veículos! Digam adeus aos botequins! Não mais do papo furado dos fins de tarde, entre uma cerveja e outra. Não mais a descontração no final do expediente, para afastar o estresse de um dia de trabalho e a chateação do chefe. Não mais aquela hora necessária de futilidades, infindáveis discussões sobre futebol, sobre política, sobre mulheres, ou mesmo sobre nada, simples sentar-se à mesa, pedir uma "loura", um tira-gosto, e não dizer coisa alguma, apenas deixar-se estar ali, fazendo hora. A não ser que tenha ido a pé, ou que resolva voltar de táxi, digam adeus aos botequins e aos pequenos prazeres que há centenas de anos fazem parte da nossa cultura. Inventaram uma lei seca que não existe em nenhuma parte do mundo: tolerância zero para a bebida alcoólica em relação aos motoristas, nas estradas e nas cidades. Nenhuma contemplação. Dois bombons de licor podem ser motivo para uma multa de aproximadamente R$1.000 e perda da carteira de motorista por 12 meses! Com ou sem bafômetro. É o policial que vai dizer se você está bêbado ou não, se você se recusar ao teste bafométrico. E tanto faz ter bebido uma cerveja ou dez, é a mesma coisa: a lei não faz distinções, não contempla exceções.
Num país canalha como o nosso, a lei pode virar uma indústria de multas: é só as autoridades do trânsito ficarem esperando a saída da turma de qualquer botequim, de qualquer clube, de qualquer festa, de qualquer comemoração, até mesmo de uma inocente festinha de aniversário na casa do aniversariante. Disse autoridades do trânsito? Não, não. Já se decidiu que qualquer policial, do trânsito ou não, também vai fiscalizar os bebuns do país. Em qualquer blitz, já não bastará apresentar os documentos do carro, a carteira de habilitação: você será convidado a fazer o teste do bafômetro também. Se recusar, o policial pode cheirar seu hálito e decidir que você bebeu. Tem bafo, tá bebum. E pronto. Multa e perda da carteira por um ano!
Se a lei não criar uma indústria de multas, o que pode ocorrer também, em país canalha como o nosso, é a oficialização do suborno: afinal é melhor dar 200 paus para o guarda do que pagar mil reais de multa e ter a carteira apreendida.
Assim, meus amigos, nunca mais as festas de casamento. Nunca mais as despedidas de solteiro. Nunca mais as festas de formatura. As comemorações das vitórias da seleção brasileira ou do time de preferência. A não ser que tudo aconteça com o táxi à espera, ou para ir e trazer de volta. Ou seja: agora só podemos ir para os botequins a pé ou de táxi. Bom para os proletários. Bom também para os abastados, que têm motorista. A classe média, na sua imensa maioria, vai dançar. É o que dá inventar lei de primeiro mundo para país de quinto. Tudo isto é, dizem, para coibir os altos índices de morte em acidentes de trânsito. Mas o mesmo Congresso que fez esta lei seca, não foi capaz, ainda, de determinar, em lei, que não se pode mais fabricar carros no país sem air-bag, como acontece no resto do mundo civilizado. Isto também, como está sobejamente provado, reduz os índices de morte em acidentes de trânsito.
Num país canalha como o nosso, a lei pode virar uma indústria de multas: é só as autoridades do trânsito ficarem esperando a saída da turma de qualquer botequim, de qualquer clube, de qualquer festa, de qualquer comemoração, até mesmo de uma inocente festinha de aniversário na casa do aniversariante. Disse autoridades do trânsito? Não, não. Já se decidiu que qualquer policial, do trânsito ou não, também vai fiscalizar os bebuns do país. Em qualquer blitz, já não bastará apresentar os documentos do carro, a carteira de habilitação: você será convidado a fazer o teste do bafômetro também. Se recusar, o policial pode cheirar seu hálito e decidir que você bebeu. Tem bafo, tá bebum. E pronto. Multa e perda da carteira por um ano!
Se a lei não criar uma indústria de multas, o que pode ocorrer também, em país canalha como o nosso, é a oficialização do suborno: afinal é melhor dar 200 paus para o guarda do que pagar mil reais de multa e ter a carteira apreendida.
Assim, meus amigos, nunca mais as festas de casamento. Nunca mais as despedidas de solteiro. Nunca mais as festas de formatura. As comemorações das vitórias da seleção brasileira ou do time de preferência. A não ser que tudo aconteça com o táxi à espera, ou para ir e trazer de volta. Ou seja: agora só podemos ir para os botequins a pé ou de táxi. Bom para os proletários. Bom também para os abastados, que têm motorista. A classe média, na sua imensa maioria, vai dançar. É o que dá inventar lei de primeiro mundo para país de quinto. Tudo isto é, dizem, para coibir os altos índices de morte em acidentes de trânsito. Mas o mesmo Congresso que fez esta lei seca, não foi capaz, ainda, de determinar, em lei, que não se pode mais fabricar carros no país sem air-bag, como acontece no resto do mundo civilizado. Isto também, como está sobejamente provado, reduz os índices de morte em acidentes de trânsito.

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