Disperso

Fecho os olhos para ver melhor. São tantos os pensamentos que se vão naquele espaço entre os minutos que penso existir um outro eu, em um outro lugar, feito de pensamentos perdidos. Um outro eu que não existiria neste mundo, é certo, mas que é essencial para a minha sobrevivência. Sou eu... Há marés em mim. E dia desses revivi emoções antigas. Difíceis, doídas. Foi como assistir a um filme onde a gente chora. Não chorei, mas foi como se tivesse. Pura imersão. Engraçado isso de se assistir... Engraçado, o caralho! Pode ser necessário, revelador, libertador — e várias outras palavras que também acabam com “dor” —, mas eu podia passar sem essa; não há Cristo que me convença do contrário. Tá, ok, revi, reli, revirei minhas entranhas. Agora vai mais uma pá de cal por cima, que a vida segue é adiante. E eu quero é mais. E melhor. Me alimento de sorrisos. Dos meus sobrinhos — as coisinhas mais ricas e doces. Dos meus amigos. De quem estou conhecendo. De quem revejo — e de quem não vejo guardo um sorriso no bolso. E de mim, quando miro o rosto no espelho antes de sair para a rua e cuidar da vida. Tenho esse cuidado: sorrio, para não me esquecer de ser feliz.

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