Página arrancada... e terminada
Todos os nossos momentos são de morte iminente. E o pensar aguçado sobre essa constatação não é tão doloroso como pode parecer à primeira vista. Porque viver é como estar em guerra contra um inimigo invencível que só espera o instante certo de atacar. Então, vamos traçando nossas estratégias, melhorando nossa logística, buscando as camuflagens mais precisas. Mas, há as tréguas. E nelas, nós acendemos nossos cigarros, sopramos a fumaça para cima, e passamos aos planos de tempos de paz.
Nesses instantes, que são salpicados pela extensão do tempo, compomos a história que escrevemos, para cada um de nós. Há aqueles que conseguem abstrair completamente o perigo vindouro e constroem, de forma magnífica, uma trajetória lúcida, em que os ruídos da artilharia ficam olvidados. Nem o sangue dos companheiros mortos os desvia do caminho. São os fortes, ou os que desenvolvem múltiplas crenças e que não duvidam que as árvores mortas pela campanha vão reflorescer. Há os frágeis que se fatigam com a estreiteza do solo em que lhes é permitido erguer projetos. Olham a extensão das trincheiras e não ousam erguer a cabeça fora delas. Há os impassíveis que se endurecem com o inexorável que enfrentarão e ficam em guarda, numa atitude enganosa de vencer o medo pela insensibilidade.
Há os que volvem o olhar para os companheiros de luta e os sentem tão próximos e iguais, que a presença deles lhes infunde a energia suficiente e incompreensível da união. Percebem-se como um todo maior pelo qual vale a pena estar ali, apenas pela enigmática sensação de que sofrer junto é sofrer menos.
E há os que fumam seu cigarro, compondo com os novelos da fumaça um campo de batalha onde os fuzis expelem flores, o som das explosões se transforma em orquestração do vento e das nuvens, onde a chuva traz gotas de mel, o chão verdeja em mar e onde o sol envia convites de beijos, nos raios que lhes tocam as faces. Podem morrer a qualquer momento, mas, isso não terá mais importância, para eles...
Nesses instantes, que são salpicados pela extensão do tempo, compomos a história que escrevemos, para cada um de nós. Há aqueles que conseguem abstrair completamente o perigo vindouro e constroem, de forma magnífica, uma trajetória lúcida, em que os ruídos da artilharia ficam olvidados. Nem o sangue dos companheiros mortos os desvia do caminho. São os fortes, ou os que desenvolvem múltiplas crenças e que não duvidam que as árvores mortas pela campanha vão reflorescer. Há os frágeis que se fatigam com a estreiteza do solo em que lhes é permitido erguer projetos. Olham a extensão das trincheiras e não ousam erguer a cabeça fora delas. Há os impassíveis que se endurecem com o inexorável que enfrentarão e ficam em guarda, numa atitude enganosa de vencer o medo pela insensibilidade.
Há os que volvem o olhar para os companheiros de luta e os sentem tão próximos e iguais, que a presença deles lhes infunde a energia suficiente e incompreensível da união. Percebem-se como um todo maior pelo qual vale a pena estar ali, apenas pela enigmática sensação de que sofrer junto é sofrer menos.
E há os que fumam seu cigarro, compondo com os novelos da fumaça um campo de batalha onde os fuzis expelem flores, o som das explosões se transforma em orquestração do vento e das nuvens, onde a chuva traz gotas de mel, o chão verdeja em mar e onde o sol envia convites de beijos, nos raios que lhes tocam as faces. Podem morrer a qualquer momento, mas, isso não terá mais importância, para eles...

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