Penso... Agora...
Há em cada lágrima tanto quanto há em cada sorriso, a minha mais verdadeira emoção. Pouco importa se vieram no mesmo dia, afinal, não há lei que me obrigue a só chorar ou só sorrir em cada dia de minha vida. Sei, entretanto, que todos sempre esperam de mim um comportamento linear: sim ou não, alegria ou tristeza, solteiro ou casado. Sinto em desapontá-los, mas esse não é o meu ritmo e, representar um papel, qualquer que seja ele, soaria tão falso quando a felicidade em prateleiras de farmácia. Prefiro a minha inconstância insana, porém verdadeira. Se ainda me concedessem um segundo direito, escolheria o de manter-me calado diante de tais perguntas: "O que que você tem?" "Que carinha é essa?" "Porque você tá triste?" "O que eu posso fazer pra te ajudar?" Nada me enjôa mais do que, nas minhas horas mais tristes, ter que vestir um sorriso amarelo e alimentar o espírito de caridade das pessoas com justificativas mentirosas e motivos falsos só para elas irem embora com a sensação de que resolveram o problema de alguém e assim, fizeram sua cota de caridade diária. Sim, causa úlceras. Mas é leite também. Pura e suave, sou quase indispensável para alguns, o que me lisonjeia e quase me faz acreditar que sou insubstituível. À estes que me amam desprentesiosamente o meu melhor sorriso. É uma injeção de idealismo na veia, eles me fazem acreditar que sou a criatura perfeita e maravilhosa que vejo refletida em seus olhos. E àqueles com segundas intenções, sou leite azedo.

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