Atos secretos


Pois é. Quem pensava que já tínhamos chegado ao fundo do poço com o mensalão, com a operação sangue-suga, com as propinas do Severino Cavalcanti, com a maracutaia das passagens aéreas para os parlamentares, com o descalabro das verbas indenizatórias, enganou-se. Não sabíamos ainda dos atos secretos do Senado! Não são dois ou três. Nem mesmo meia dúzia: são perto de mil! Por eles nomeia-se afilhados, parentes, amigos e até o diabo, se ele tiver um bom pistolão. A imprensa caiu de pau. O presidente do Senado, José Sarney, o dinasta do Maranhão, o homem da inflação de 80% ao mês na sua gestão como presidente da república, tinha vários parentes nomeados pelos atos secretos. Correram rumores de sua renúncia ao cargo de presidente do Senado e o dono do Maranhão foi à tribuna da Casa para se defender. Disse que a crise era do Senado, não dele; disse que um homem como ele, com a sua biografia e sua exemplar carreira pública não podia ser acusado de atos ilícitos. Isto é que é ter cara de pau. Erra e ainda se diz acima de qualquer suspeita, "porque tem ilibada carreira pública". Só se for no Maranhão onde ele domina tudo há mais de 50 anos.

Não bastasse tudo isto, vem o Lula e diz na TV que "não li a reportagem sobre o presidente Sarney, mas penso que ele tem história no Brasil suficiente para que não seja tratado como se fosse uma pessoa comum". Ora, senhor Presidente, vamos com calma: sua frase advoga, na prática uma espécie de aristocracia dos que não podem ser atingidos pela lei. Que diferença se relembrarmos o que Lula disse de Sarney e de Roseana em 2001, quando esquentava as baterias para a eleição presidencial de 2002. Naquela ocasião, no Maranhão, em pleno palanque disse cobras e lagartos dos dois. O mínimo que disse foi que os dois eram mentirosos. E não é que Sarney e Roseana apoiaram o apedeuta em 2002? Vai entender...Pois em 2006, no mesmo Maranhão, no mesmo palanque, e diante de Sarney e Roseana, Lula, em plena campanha pela re-eleição derramou-se em elogios aos monarcas do Maranhão: aquelas duas figuras horríveis de 5 anos atrás transformaram-se em pessoas da melhor qualidade. É por esta razão que digo que os políticos, na sua imensa maioria, trabalha com três Cs: Convivência, Conveniência e Conivência. Há quem acrescente um quarto C: Corrupção...

Um irmão do presidente do Senado, Ivan Sarney, foi exonerado, por meio de ato secreto, de um cargo de confiança da Casa. A demissão do escritor e advogado Ivan Sarney (PMDB) saiu só agora no sistema interno do Senado, mas com data de 30 de abril de 2007. Ele se soma a outros seis parentes de Sarney que estão ou passaram discretamente pela folha de pagamento do Senado nos últimos anos, além de dois afilhados políticos. A exoneração secreta está em um boletim, revelado apenas agora, com dois atos: um anulando a mudança para o gabinete do Sernador Cafeteira e o outro informando a saída do irmão do presidente do Senado do quadro de funcionários.

No Congresso, Ivan exerceu o cargo de assistente parlamentar, com salário de R$4,8 mil. Deixou o Senado para assumir uma vaga de vereador em São Luís. No ano passado, ele tentou, em vão, se reeleger.

Mas, segundo Lula, Sarney não é uma pessoa como as outras. Não é mesmo. Depende de que outras estamos falando...



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