Gripe suína (H1N1) muda rotina
Ainda que a gripe suína demonstre sinais de redução na transmissão, como apontam especialistas da saúde, as mortes com suspeita de contaminação da doença continuam ocorrendo. Somente no último fim de semana, em Belo Horizonte, duas pessoas que apresentaram sintomas graves do influenza A (H1N1) perderam a vida. Trata-se de um bebê, de 6 meses, e uma mulher, de 30 anos, que estavam internados no Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (HC/UFMG) – uma das unidades de referência para o tratamento dos contaminados pelo vírus na cidade.
As duas mortes estão sob investigação e, de acordo com o HC, os exames para o diagnóstico do influenza A (H1N1) na criança e na mulher foram feitos assim que elas foram atendidas no hospital. O bebê foi internado na sexta-feira e morreu na madrugada de sábado, tornando-se a primeira morte em BH nessa faixa etária. Já a mulher estava no centro de terapia intensiva desde o dia 8 e faleceu na sexta-feira. À espera do resultado da causa das mortes, o HC informou que somente passará mais informações sobre os óbitos quando for concluído o diagnóstico.
Nesta terça-feira a Fundação Ezequiel Dias (Funed) divulga o resultado dos exames dos 43 casos suspeitos de contaminação em Minas Gerais. Os diagnósticos começaram a ser feitos na sexta-feira. Antes era feito pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro. São 10 pessoas envolvidas na análise das amostras de H1N1 no Laboratório de Virologia e Riquetisioses da Funed. A partir da semana que vem, a expectativa é liberar, em média, 40 resultados diariamente. A prioridade são amostras de pessoas internadas, além de pacientes de cidades mineiras em que ainda não havia sido constatada contaminação pela gripe suína.
Doze pessoas perderam a vida por causa da gripe suína em Minas Gerais, desde o início da epidemia. Uma jovem de 17 anos que morreu em Olinda (PE) e uma mulher de 30 anos, que faleceu em Campinas (SP), ambas mineiras, foram contabilizadas por Minas, mesmo com o falecimento ocorrido fora dos limites estaduais. Assim, o estado registra 14 mortes.
Além dos dois óbitos suspeitos de contaminação em Belo Horizonte, na noite da última quarta-feira, uma mulher, de 26 anos, de Santo Antônio do Monte, no Centro-Oeste de Minas, com sintomas da gripe, também faleceu no Hospital das Clínicas. Além desses três casos fatais, Minas tem 62 mortes sob investigação de contaminação da doença.
Gestantes
“Cada dia que passa e sinto que não estou gripada é uma vitória”, confessa a funcionária pública do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) Renata de Castro Amedee Peret Mota, de 39 anos, que está no quarto mês de gravidez. Ela conta que o órgão para o qual trabalha lhe cedeu 15 dias de licença por causa da gripe e nesta terça-feira ela estará de volta ao emprego. “Quando fui dispensada, era o período que as pessoas estavam de férias, o que poderia ser realmente um risco para mim e para o meu bebê”, conta, ressaltando que nesse período em que ficou fora do trabalho procurou repousar e evitou lugares fechados e aglomerações. “Sempre que tenho que ir a algum lugar onde sei que vou encontrar muita gente, uso máscara. Deixei de cumprimentar as pessoas com abraços e beijos, no máximo, dou a mão. É um cuidado comigo e com quem ainda nem nasceu.”
A preocupação de Renata não é para menos. De acordo com o último balanço divulgado pelo Ministério da Saúde, um total de 1.980 mulheres em idade fértil (de 15 a 49 anos) tiveram resultado positivo para o novo vírus. Destas, 480 eram gestantes. Entre as grávidas, 58 morreram por causa do influenza A (H1N1).
Por isso, segunda-feira, a Secretaria de Recursos Humanos do Ministério do Planejamento publicou orientação normativa determinando medidas a serem adotadas pelos órgãos da administração pública federal para prevenir a infecção de gestantes pelo vírus influenza A. Assim, as grávidas que exercem atividades no Executivo Federal – servidoras, empregadas públicas, contratadas temporárias e estagiárias – e que têm contato direto com o público deverão ser remanejadas para áreas internas dos órgãos em que trabalham, pelo prazo de 30 dias.
Em nota, o ministério esclareceu que tomou esta medida por considerar que as gestantes, por estarem em condições mais vulneráveis, apresentam maior risco de desenvolver complicações decorrentes do vírus. A orientação estabelece ainda que a licença para tratamento de saúde ou afastamento poderão ser concedidos nos casos em que houver indicação médica específica.
Custos
Essa epidemia custará às empresas espanholas em torno de 1 bilhão de euros, segundo um estudo divulgado segunda-feira pela Adecco, uma multinacional de recursos humanos. A principal razão disso são as faltas dos empregados, por causa da doença. "Levando em conta o custo do trabalho durante a falta de um empregado e a duração provável de sua ausência, o custo aproximado para as companhias será de 1 bilhão de euros", afirma o estudo da companhia suíça. A Adecco se baseou em estimativas segundo as quais 12% de todos os trabalhadores espanhóis contrairão o vírus A H1N1, com sete dias em média de faltas dos enfermos no trabalho.
Por: Heloisa Henriques Pereira
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