Contra a maré

.
Há pais que, na tentativa de encaminhar os filhos para o bem, os aconselham a nunca nadar contra a maré. Em outras palavras, dizem que para se dar bem na vida não devem bater de frente com os modos da sociedade. Nada mais errado, posto que na base dessa proposta possa haver coerência. Mas é só aparência.

As pessoas andam tão erradas que quem lhes segue os exemplos nada com a maré e se dá mal…

Sim, eu sei, está confuso, vou tentar puxar a cortina e clarear a conversa. Qual seria a “maré” do correto, dos hábitos corretos?

Ser pontual, por exemplo. Chegar no horário seria, deve ser, o correto. Quantos, todavia, são pontuais?

Ser leal ao empregador, à empresa, quantos o são? Não ser um delinquente dos oportunismos, isto é, ninguém por perto meto a mão, chuto a cadeira da escola, da empresa…

Quantos são respeitosos com a lei e com as propriedades alheias?

Quantos, podendo, não passam com o sinal fechado? Quantos devolvem o troco a mais que a mocinha desatenta do supermercado lhes dá?

Quantos buscam continuado aperfeiçoamento profissional mesmo trabalhando sob a sombra fresca da estabilidade e do salário garantido?

A resposta a essas perguntas é uma só: poucos, raros. Esse andar errado das massas coletivas é a maré. É o consuetudinário, são os modos de agir que mais vemos, dissimulados ou não.

Daí que aconselhar alguém, um filho pequeno, a que ande na contramão, a que nade contra a maré, pode parecer loucura, mas não é. Dado que a “maré”, hoje, é o errado, nadar contra ela passa a ser o certo. Um paradoxo? Sem dúvida.

Alás, acabo de ler sobre Sam Zell, já ouviste falar dele? É um investidor americano da área dos imóveis, um bilionário dos negócios. O Zell é o cara na área dele.

Aqui vai uma frase do vitorioso Zell:

Olhe para a lista dos maiores empreendedores do mundo. Quantos deles ficaram ricos seguindo a manada? Não consigo pensar em muitos!

O Warren Buffet, um dos três homens mais ricos do mundo, diz parecido. Buffet diz que não faz negócios em áreas onde muitos estão se atirando com avidez, em áreas de aparentes grandes lucros. Ele diz que nada contra a maré, aposta em negócios que para os outros parecem falências.

É assim, e em tudo na vida. As “manadas” humanas não são bons exemplos para nada. Nadar contra a maré, para mim, é ser ético, honesto da cabeça aos sapatos, deitar e dormir. É para poucos.
.

0 comentários

Write Down Your Responses