Os outros e nós

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Volta e meia, os mesmos assuntos retornam. Fazer o quê… É da vida. Já nem vou buscar o sol como testemunha, afinal, ele vem e vai todos os dias e nós não encrencamos com ele por sua “mesmice”…

Mas o que me traz à charla de hoje, leitora, leitor, é a velha lei dos 80 x 20, lembra dela? Pois não é que me foge agora o nome do seu criador, mas ele, com certeza, não vai ficar chateado, afinal, quando celebramos a obra de alguém não lhe podemos fazer homenagem maior.

Pois esse tal princípio dos 80 por 20 diz que 80% de sua felicidade, por exemplo, resulta de apenas 20% de tudo o que você faz ou fez na vida. Dito de outro modo: 80% do que fazemos na vida vão "ou vai" direto para o lixo. Em tudo na vida, em tudo.

Faz sentido.

Maior parte do tempo, damos atenção aos secundários e não aos fundamentais. Aliás, dizendo isso, vem-me à memória uma história que ouvi de Paulo Coelho, nosso maior contador de histórias da História do Brasil.

Paulo Coelho ouviu essa história. Dela são protagonistas uma jornalista e um pianista.

Paulo Coelho contou, em seu Maktub, que certa noite a jornalista Ângela Pontual estava num coquetel, numa reunião social em Nova York, e todos, é claro, conversavam, riam, dizendo isso e aquilo, um coquetel, ora bolas.

Mas muitos dos convidados desse coquetel estavam incomodados com a música alta tocada ao piano pelo pianista convidado para musicar o encontro. Lá pelas tantas, não sei se a própria Ângela ou algum outro convidado, foi até o pianista e, incomodado, disse a ele: “Por que você não toca só para você…”

Foi o que o pianista começou a fazer, tocar só para ele. Conta Paulo Coelho que segundos depois havia um silêncio de cemitério na sala, todos de ouvidos atentos ao pianista. Ele deslumbrava os convidados com sua música.

O que acontecera? Simples. Até o momento em que fora admoestado, o pianista tocava as músicas convencionais, as mais pedidas pelos convidados habituais de coquetéis. Drogas, como se sabe.

Na hora em que começou a tocar só para si mesmo, as suas músicas, com o seu coração, o pianista encantou a todos.

A lição serve para nós. Passamos o maior tempo da vida “tocando” as nossas ações para os outros, dando pouca atenção a nós mesmos. Em fazendo assim, nossa felicidade se reduz mesmo a 20% de tudo o que fazemos. O resto é lixo. Os outros são mais importantes do que nós…
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