Gosto de viajar ouvindo alguém
Cada momento é um momento na vida. Um momento singular. É preciso que prestemos atenção a esse ditame da vida, sob pena de não encontrarmos a nossa devida sintonia com o universo.
Somos, todos nós, como que um aparelho de rádio, precisamos estar na frequência certa para captarmos as energias do universo. Quando a sintonia afina, vivemos bem, melhor…
Dito isso, leitora, quero agora dizer que dia desses fiz as malas, ajeitei-as no carro e me aprontei para a estrada. Não sem antes escolher as músicas a serem ouvidas na estrada. Tenho minhas idiossincrasias, e dou um exemplo.
Mais das vezes, só ouço música orquestrada ou clássica, não a gosto de chamar pelo nome — música erudita —, mas é assim que são chamadas as ditas músicas clássicas.
Pois bem, orquestradas e clássicas são minhas preferidas. Não, todavia, na estrada. Aí não há o que me faça ouvir as minhas músicas cotidianas, na estrada preciso de “companhia”, gosto de viajar ouvindo alguém.
Dessa feita, nesta última viagem que fiz, levei comigo a Joana. Isso mesmo, a Joana, cantando Lupicínio Rodrigues. Ah, que linda a Joana e que lindos os versos do Lupi.
Vim até aqui para falar de uma frase do Lupicínio, e que faz parte do samba-canção Esses Moços.
Lupi diz, a certa altura desta música, que “Esses moços, pobres moços, ah, se soubessem o que eu sei… deixam o céu por ser escuro e vão ao inferno à procura de luz…” Que bela verdade musicada. Sabes o que é deixar o céu por ser escuro e ir ao inferno à procura de luz?
Pois é o que fazem multidões de jovens perdidos na vida. Só os jovens? Claro que não. Pessoas que têm tudo, pessoas cujas vidas foram agraciadas com belas riquezas naturais, família, saúde, amigos, estudos, trabalho, até dinheiro, tudo, e que bocejam diante da vida. Trocam o “céu”, por vê-lo escuro, e vão ao inferno das drogas à procura de luz. Que refinados estúpidos.
Procuram no anestésico das drogas, dos vícios, das loucuras de toda sorte, preencher os vazios interiores, que só podem ser preenchidos com o amor. Amor por alguma causa, o que for, mas amor. Quem ama não adoece, já não disse isso aqui? Que refinados tolos, não veem o céu em que vivem e a saem à procura do inferno e de sua luz mortal…
Cheguei ao fim da viagem feliz. Joana e Lupicínio me fizeram ver o céu…

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