Medo de quê?


Medos sociais não mordem. Não mordem mas paralisam. Todos temos algum medo social, todos. Isso significa que algumas coisas da vida social evitamos. As razões são múltiplas mas todas nos fazem sofrer. Alguns chamam esses medos de fobias, fobias sociais. Há as de todo tipo. Uma delas é falar em público. Ter que levantar da cadeira, ir lá na frente e dizer algum coisa para um grupo de pessoas paralisa muitos potenciais oradores. E essa paralisia se manifesta ainda que estejam diante de um grupo de pessoas conhecidas, colegas de aula, de trabalho, de igreja, do que for.

Sim, eu sei, mais das vezes, no caso de falar em público, a fobia não é fobia nem medo, é não ter o que dizer. Mas é duro admitir que temos a cabeça vazia. Outros, todavia, têm muito a dizer, mas não se garantem, têm vergonha de suas ideias, do que os outros vão pensar, de que lhes sobrevenha um branco na hora de falar etc etc.

Já outras pessoas têm dificuldades para chegar a uma festa. Inconscientemente elas imaginam que todos vão olhar para elas ao chegar. Convencidas. Tudo não passa de insegurança, autoestima baixa.

— Sim, mas onde queres chegar com essa conversa mole, Gallo?

Boa pergunta, boa pergunta.

O que quero dizer é que para vencer as nossas fobias sociais só temos uma saída, só uma. Antes de mais nada que fique claro que medicação “anestesia”, nos faz ficar um tanto fora da realidade, da consciência clara do aqui e agora. Remédio não cura fobia social, medos sociais, não cura mesmo. O remédio ajuda quando faz parceria com uma boa psicoterapia. Sem a psicoterapia, neca peteca, não funcionam os remédios.

É preciso cavar fundo para trazer dos porões da mente as razões do nossos medos, mas que uma coisa fique muito clara: as nossas fobias, os nossos medos sociais, como disse lá em cima, só têm uma saída: o enfrentamento do que nos assusta, do que nos encolhe. Não há outro jeito.

Quem, por exemplo, tiver medo de elevador vai ter que pegar o elevador e ir até o último andar. Ou ter ideias, crer nelas, ir lá na frente e dizê-las para o grupo de ouvintes numa reunião qualquer. Não se perde de outro modo o medo de falar em público. Ainda não inventaram um macete para pular esses enfrentamentos.

Pânico de gente? Andar no meio das gentes. “Ah, mas vou morrer!” Não vais não. Quando admitimos o medo, as fobias sociais, e recuamos, evitando-as, elas crescem diante de nós. Quando vamos para cima delas, elas recuam, e os “pacientes” começam a se curar. Se for o seu caso, tente.

0 comentários

Write Down Your Responses