“P-a-l-a-v-r-ã-o”



Quem disse que é proibido xingar? Porque algumas palavras ofendem e outras não se são apenas palavras? É difícil definir o que é um xingamento, porque uma palavra como “Caralho” é um palavrão, como se diz, e “Amizade” por exemplo não. Acontece que essas definições não vem de hoje, todo tipo de palavra sofre alterações com o tempo, temos como exemplo o chamado neologismo que, trata-se da derivação de palavras em cima das já existentes. Uma coisa me deixa intrigado, será que ofendemos as pessoas pelo que falamos pra elas ou pelo sentimento que temos contra elas? Faz diferença eu chegar em alguém e dizer “eu te adoro” sendo que por dentro não suporto aquela pessoa? Ou então como fazemos muitas vezes, “xingamos” alguém que gostamos simplesmente da boca pra fora porque estamos nervosos. Particularmente acredito na força do que dizemos, nossas palavras tem poder, podem influenciar uma pessoa, ajudar, atrapalhar, apoiar, criticar, mas sinceramente o ato de xingar é uma bobagem. Logicamente eu me sentiria ofendido com um “seu filho da puta”, mas quem colocou isso na nossa cabeça? Quem foi que disse que isso é uma ofensa? Que não podemos falar senão seremos boca suja ou estaremos ofendendo alguém, outro fato interessante é que quando xingamos parecemos estar descarregando energias negativas, mas certamente não sairemos gritando besteiras por aí. Isso é fato, o que aqui pode ser uma ofensa em outro país pode ser um elogio ou nome de objeto, é a derivação cultural e étnica. As pessoas têm costume de rotular as coisas, preferem seguir idéias de segundos do que criar as suas próprias, esse é mais um exemplo disso, tais palavras começaram a serem usadas freqüentemente obviamente para ofender que, acabaram tomando derivações que as caracterizam hoje como “palavrões”. Temos alguns grandes exemplos disso como “rapariga” que, em Portugal tem o sentido de mulher nova, moça, enquanto aqui no Brasil teve o sentido meio que deformado. Geralmente é utilizada para ofender a integridade sexual das mulheres, principalmente por jovens que não tem a mínima idéia do que estão dizendo e outros mais ignorantes ainda que se sentem ofendidos. Portanto, creio que os palavrões na verdade são derivações de outras palavras criadas pelas próprias pessoas que, adoram usar para descarregar sua “raiva” ou até usam tão freqüentemente que acaba virando uma grande brincadeira, ninguém mais se importa. Como seria se começássemos a nos cumprimentar com um “oi, filho da puta” ou “boa noite seus idiotas” ? Confesso, nem eu nem ninguém iria gostar, mas seria apenas uma questão de adaptação, afinal o ser humano é muito maleável e as vezes aceita de tudo por mais estranho ou humilhante que seja.

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