O susto e a calma.
Eu poderia ficar horas e horas na frente desse monitor tentando encontrar as melhores palavras. Mas não vou fazer isso. Decididamente não hoje. Escrevi um texto enorme no final da tarde, sobre uma amiga querida. Decidi não postar. Guardei, como tantos outros, dentro de um livro. Mania antiga: guardar textos e fotos queridas dentro de livros. Depois eles ficam esquecidos (esperando o tempo certo?) na estante e só quando prontos desabrocham de novo.
Também aconteceu o que eu já nem mais esperava. Um lampejo, um gosto diferente na boca: doçura? Magia? Procurei no dicionário o sentido exato da palavra encantamento. Mas não me convenceu. O que sinto agora não pode existir como linguagem, léxico, nexo... É meu, é íntimo e privado. É como música que se ouve sorrindo (e até chorando), doce que se come escondido, segredo que se move incólume através dos dias.
Mas o fato é simples, não histórico. Não merece manchetes de jornais ou teorias elaboradas. Respeita um tempo único, próprio dos recomeços. Desafia o espaço, o traçado preciso dos mapas, os limites territoriais. É capaz de provocar gemidos longos e até emoções desencontradas. Mas respeita uma lei universal. Não necessita de tradução, manual de instruções ou bússola. Carece apenas de um pouco de atenção, esmero ao passar uma camisa, cozinhar um alimento, acender uma vela.
O que começo a sentir agora desafia a linhagem de uma dinastia inteira. Atravessa istmos, rompe barreiras, funda civilizações. Não cabe em velhos navios nem no fundo dos oceanos. Mas pode ganhar abrigo numa caixa ricamente adornada, onde antigos amuletos repousam, guardando a memória do mundo. Chamam isso de muita coisa. Prefiro acreditar que tudo não passa de sentimento. Puro e cristalino como o susto e a calma.
Também aconteceu o que eu já nem mais esperava. Um lampejo, um gosto diferente na boca: doçura? Magia? Procurei no dicionário o sentido exato da palavra encantamento. Mas não me convenceu. O que sinto agora não pode existir como linguagem, léxico, nexo... É meu, é íntimo e privado. É como música que se ouve sorrindo (e até chorando), doce que se come escondido, segredo que se move incólume através dos dias.
Mas o fato é simples, não histórico. Não merece manchetes de jornais ou teorias elaboradas. Respeita um tempo único, próprio dos recomeços. Desafia o espaço, o traçado preciso dos mapas, os limites territoriais. É capaz de provocar gemidos longos e até emoções desencontradas. Mas respeita uma lei universal. Não necessita de tradução, manual de instruções ou bússola. Carece apenas de um pouco de atenção, esmero ao passar uma camisa, cozinhar um alimento, acender uma vela.
O que começo a sentir agora desafia a linhagem de uma dinastia inteira. Atravessa istmos, rompe barreiras, funda civilizações. Não cabe em velhos navios nem no fundo dos oceanos. Mas pode ganhar abrigo numa caixa ricamente adornada, onde antigos amuletos repousam, guardando a memória do mundo. Chamam isso de muita coisa. Prefiro acreditar que tudo não passa de sentimento. Puro e cristalino como o susto e a calma.
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