Feliz Dia dos Pais


Eu cresci assistindo anualmente, nas Igrejas locais que freqüentei as tradicionais homenagens de Dia dos Pais. Mesmo sendo muito pequeno, lembro que ali, diante da fileira de pais cuidadosamente posicionados nos melhores bancos da igreja, o coral de vozes de crianças e jovens apresentava-se. Recordo-me que aqueles senhores nem se demonstravam lá muito interessados no que estava sendo cantado, a não ser é claro quando um de seus pimpolhos começava a chorar no meio da canção, ou mesmo quando um dos pequeninos fazia alguma graça diante de todos, provocando o riso geral da igreja e trazendo algum orgulho ao paizão. No final da cerimônia, era realizada a entrega da tradicional caneta que a igreja comprava para presentear os pais, em um ou outro ano houve variantes: eventualmente era um daqueles pacotes de lenços de pano que o meu pai nunca usava. Lembro inclusive que num certo ano de inflação mais baixa e vacas mais gordas, o meu pai ganhou na igreja uma carteira que eu acabei pegando pra mim. Cresci ouvindo canções magníficas sobre pais nas homenagens dos corais infanto-juvenis: eram músicas baseadas no cotidiano da perfeita e ideal sagrada-família-cristã. O pai dessas canções era quase o Superman de tão perfeito: presente, amigo pra todas as horas, trabalhador, carinhoso, galante, bom marido, engenhoso, cristão exemplar, enfim: o pai que todo mundo gostaria de ter e homenagear. À medida que eu fui crescendo, passei a observar aquele mesmo coral de todo ano de uma forma um pouco mais crítica: ali, bem no meio dos cantores, conseguia ver o olhar perdido daquele jovem que cantava sem ter um pai na platéia pra quem ele pudesse olhar afetuosamente e homenagear. Os motivos eram muitos: talvez porque ele não tinha mais pai, talvez porque o pai era ausente, não era cristão, ou talvez porque era um pai que, assim como o meu, sempre deu seu sangue para garantir com carinho o bem-estar da família. No final, a tiazinha bonachona que tomava conta da caixa de presentes sempre dava uma caneta para esses filhos presentearem (ou não) os pais que estavam ausentes na singela homenagem. Eu posso parecer grosso e inconveniente em um dia de tantas homenagens, mas a realidade pode ser diferente da pregada nas nossas cantatas de louvor infindável aos nossos genitores. Segundo pesquisas, 20% das mulheres e 10% dos homens já foram vítimas de abuso sexual na infância ou na adolescência, desses tantos, em 70% dos casos o agressor era o próprio pai da vítima. Em 2007, o Disque-Denúncia recebeu 75.000 denúncias de mulheres agredidas por seus maridos dentro do ambiente doméstico. Uma pesquisa recente também mostrou que 50% dos pais entrevistados não viram seus filhos nesses últimos dois dias, a maioria deles por motivo de trabalho. A falta de contato, o desamor, o alcoolismo, a fofoca, a violência doméstica, o divórcio, e tantas outras mazelas afligem a sagrada instituição familiar. Nossas homenagens de dia dos pais e nossas canções que exaltam o "Pai Super-Herói" são muito bonitas, mas eu acredito que nenhum de nós tem um pai perfeito aqui na terra, por mais bondosos que eles possam ser. Não são poucos os que sofrem dentro e fora da igreja por não terem muito que comemorar nesse segundo domingo de agosto. A minha mensagem pra vocês, pais, em nome de todos os filhos aqui presentes é a seguinte: nós amamos vocês! Não como amaríamos super-heróis de histórias em quadrinhos, mas como homens, humanos, imperfeitos, mas também cheios de qualidades. Homens que apesar de suas fraquezas e imperfeições sempre nos desejaram o melhor, e de alguma maneira marcaram definitivamente nosso caráter: não cedam! Não cedam à ira, não cedas à preguiça, não cedam ao vício, resistam à indiferença, resistam às dificuldades financeiras, não desistam da relação conjugal. Vocês têm valor inigualável e um papel fundamental do qual Deus não abre mão, mais importante: Deus não abre mão de nenhum vocês. Prossigam batalhando por nós, como homens valorosos e valentes que vocês são.
Aos filhos, à Igreja e ao mundo, a mensagem continua sendo a mesma: nós levantamos a bandeira da família! E ainda que vejamos tantas estatísticas ruins, ainda que presenciemos os veículos de mídia alardeando a destruição da família, ainda que alguns de nós há muitos anos não tenhamos nada pra comemorar no dia de hoje, ainda assim nós não deixamos de crer no plano perfeito de Deus para o homem e para a mulher: nós veremos o avivamento nascendo dentro das nossas casas! Eu verei com os meus olhos (e já vejo com os meus olhos da fé), conversões acontecendo dentro dos nossos lares, o coração de pais sendo convertido ao coração de filhos, e o coração de filhos sendo convertido ao coração de pais, papéis de divórcio serão rasgados, alianças de amor, perdão e cumplicidade serão restabelecidas, e os nossos lares serão lugares santos, referenciais para outras pessoas. Se vocês me permitem o paralelo: As Famílias sempre serão conhecidas pelo mover de Deus dentro delas. Eu acreditamos na Família!


Feliz Dia dos Pais, pra todos vocês.





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