Poesia Caipira


As carne vão sumino, vai parecêno as vêia.
As vista diminuíno e cresceno a sombrancêia.
As coisa vão encurtano, vão aumentano as orêia.
Os ovo dipindurano e diminuíno a peia.

Vô contá como é triste, vê a veíce chegá,
vê os cabelo caíno, vê as vista encurtá.
Vê as perna trumbicano, com priguiça de andá..
Vê "aquilo" esmoreceno, sem força prá levantá.

A veíce é uma doença que dá em todo cristão:
dói os braço, dói as perna, dói os dedo, dói a mão.
Dói o figo e a barriga, dói o rim, dói o purmão.
Dói o fim do espinhaço, dói a corda do cunhão.

Quando a gente fica véio, tudo no mundo acontece:
vai passano pelas rua e as menina se oferece.
A gente óia tudo, benza Deus e agradece,
correno ligeiro prá casa, procurano o INSS.

No tempo que eu era moço, o sol prá mim briava
Eu tinha mir namorada, tudo de bão me sobrava.
As menina mais bonita, da cidade eu bolinava.
Eu fazia todo dia, inté o bichim desbotava.

Mais tudo isso passô, fais tempo ficô prá trais
as coisa que eu fazia, hoje num sô capaiz.
O tempo me robô tudo, de uma maneira sagaiz.
Prá fala memo a verdade, nem trepá eu trepo mais.

Quando chega os cinquenta, tudo no mundo embaraça.
Pega a muié, vai prá cama, aparpa, beja e abraça,
porém só faiz duas coisa: solta peido e acha graça



.

0 comentários

Write Down Your Responses