Felicidade dos funcionários


Na vida, só não podemos discutir a verdade. O resto, podemos. Sim, mas o que é a verdade, que cara ela tem? Ninguém jamais chegou à verdade. Ela é uma ilusão, ou, quando muito, uma luta do ser humano para chegar a ela. Nossas verdades têm letras minúsculas, a Verdade teria maiúsculas…

O que há são percepções, percepções que diferem de pessoa para pessoa. Jamais duas pessoas viram o mesmo objeto do mesmo jeito — podem descrevê-lo de modo semelhante, isso podem, mas não o percebem do mesmo jeito. Um pai que tenha três filhos, tem três percebedores diferentes, esse pai é três pais diferentes…

Cruzes, já estou quase no fim do tempo de conversa com você e ainda não disse a que venho. É que dia desses andou pelo Brasil um americano que escreveu um livro de muitos leitores: O Monge e o Executivo.

Esse americano, James Hunter, afirmou, em Porto Alegre, que “funcionários felizes, empresas fortes”. Discordo.

Essa afirmação, que pelo enfático do seu anunciar parece uma verdade, na verdade não o é.

— Mas como não, Gallo, voce discordas até da mais indiscutível das verdades?

E quem disse que o que o Hunter falou é verdade?

Vamos lá, vamos ao que penso, isto é, à “minha” verdade. Uma empresa só cresce com bons funcionários, em bom ambiente, mas… mas é preciso que os funcionários sejam qualificados e motivados. E quem é motivado ainda não é feliz. Está lutando pela felicidade. Só os que têm um norte existencial, um propósito profissional ou de vida, são felizes… Felizes na luta.

Quem se dá por feliz é um vencido, não tem mais por que lutar. Por que razão um sujeito que acaba de ganhar a Mega-Sena sairia porta afora, como um louco, a procurar por uma nova aposta? Quem chega ao topo do Everest não luta mais por subir, está no topo… Só pode pensar em “descer”.

Não quero funcionários felizes na minha empresa, quero obstinados de um sonho, quero lutadores, não quero “felizes” que passem o dia esfregando a barriga, olhando para o céu e suspirando o suspiro da saciedade.

Empresas fortes só resultam de funcionários indômitos, lutadores de uma causa, de um sonho, gente com conquistas a serem conquistadas. Um homem casado com a Miss Brasil vai querer o que mais?

Felicidade é ponto final. Que Deus nos livre dela! Que ela nos mande uma “prima”, ah, isso sim… Espero que o que acabo de dizer seja verdade.

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