Pobre rico ou rico pobre?

                     
Santo Deus, pessoas de “bom” nível estão enlouquecendo. Eu disse bom nível? Mas o que é bom nível? Será dinheiro no banco? Não pode ser; se o fosse, só os ricos seriam prestáveis… O mundo enlouquece na busca pela aparência, definitivamente agoniza o ser. De nada mais adianta alguém dizer que é bom marido, bom pai, bom funcionário, mulher de virtudes ou talentos especiais, se não tiver dinheiro sobrando a pessoa é invisível nas vitrinas da vida de hoje. É preciso ter, ainda que por aparência.

Acabo de ler reportagem de página inteira num grande jornal brasileiro, reportagem com fotos, preços, locais de negócios, tudo em detalhes. E diz a reportagem que o negócio está em alta, começou nos Estados Unidos e agora é formidável sucesso no Brasil, nas grandes capitais de modo especial.

Sabes o que é? Ah, não me vá dizer que a idéia é boa, que o negócio até que é interessante, por favor, não me diga isso. Claro, o leitor(a) que está sério a espera da novidade que também não me decepcione. É o seguinte: em São Paulo multiplicam-se as lojas que “alugam” todo tipo de produto chique, caro, caríssimo, para que pessoas “pobres” possam impressionar outras pessoas, e aí, claro, pessoas desavisadas, pessoas que serão enganadas por uma riqueza falsa.

Pode-se agora alugar, por exemplo, bolsas de marcas internacionais, de preços proibitivos, por cômodos R$ 400. Pode-se também alugar telas de pintores famosos por 5% do valor das obras, e usá-las num jantar com amigos. Os quadros estarão na parede de sua casa e você vai impressionar os pobres desavisados. Ah, e poderá alugar para o casamento da filha, ou seu próprio casamento, um carro Ferrari pela bagatela de R$ 2 mil por três horas. Pode alugar o que for, enganar pessoas, amigos, parentes, e sair por aí com ares de bem de vida. Credo, que nojo dessa gente.

Bom, não vamos longe, faz muito sucesso em Brasília paredes forradas em couro com aparência de capas de livros. Quem olha de longe, quem vê as fotos parece que vê numa imensa biblioteca. Claro, a cabeça do bronco que mora naquela casa mais parece um chocalho de criança. Faz lig, lig, lig quando ele corre. São as ervilhas na cabeça dele… É isso, é o mundo da fantasia, do me-engana-que-eu-gosto. Não importa ser, importa ter. Já não basta mais a pirataria de produtos quase “perfeitos”, agora é possível a fraude com produtos verdadeiros. E alguém ainda casa com esse tipo de gente. Bom, estão fazendo isso nos casamentos. É por isso que os psicólogos estão ficando ricos…

0 comentários

Write Down Your Responses